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Por que pode ser arriscado passar fluidos vaginais em bebês nascidos em cesárea

Técnica preconiza que mulheres que dão à luz por cesárea passem fluidos vaginais nos recém-nascidos para fortalecer seu sistema imunológico, mas um grupo de especialistas alerta que isso pode ser mais prejudicial que benéfico.


Artigo científico afirma que ainda não há provas de que a técnica seja benéfica para os bebês (Foto: Pixabay)

Artigo científico afirma que ainda não há provas de que a técnica seja benéfica para os bebês (Foto: Pixabay)

As mães não deveriam abraçar a nova moda de cobrir com flora vaginal os corpos dos bebês nascidos em cesáreas, advertem especialistas.

A técnica expõe as crianças a bactérias que poderiam ter coberto seus corpos caso tivessem nascido por parto normal.

A ideia é que as bactérias que se encontram na flora vaginal da mãe treinariam o sistema imunológico dos bebês e reduziriam os riscos de eles desenvolverem asma e alergias.

Estudos apontam que bebês nascidos de cesáreas têm um risco maior de desenvolver doenças relacionadas ao sistema imunológico. Mas pesquisadores da Dinamarca e do Reino Unido garantem que há pouca evidência de que seja eficaz expô-los às bactérias vaginais após o nascimento - e alertam que isso pode ser mais prejudicial que benéfico.

Risco de infecção

A técnica é conhecida por "seeding", em inglês - semeadura, em português. Consiste de deixar um algodão ou gaze absorvendo os fluidos da vagina e depois esfregá-lo na pele, no rosto e nos olhos do recém-nascido.

Uma prova de que a prática está virando tendência está no informe publicado pela revista de obstetrícia e ginecologia BJOG em 22 de agosto, afirmando que mais de 90% dos obstetras dinamarqueses já foram questionados por seus pacientes sobre esse método.

Esse mesmo artigo diz que não há provas de que a técnica beneficie o recém-nascido, assinalando que há apenas um único estudo sobre esse método, realizado com somente quatro bebês.

E alerta para claros riscos para o bebê, incluindo infecções por bactérias estreptococos do grupo B, E. coli e uma série de doenças sexualmente transmissíveis.

A recomendação dos médicos é não usar a técnica até que sejam feitas mais pesquisas sobre o assunto (Foto: Pixabay)

A recomendação dos médicos é não usar a técnica até que sejam feitas mais pesquisas sobre o assunto (Foto: Pixabay)

"Sabemos que está aumentando o número de mulheres que procuram seus médicos para saber sobre a semeadura com bactérias vaginais", afirmou a pesquisadora Tine Clausen, autora do artigo e membro do Hospital de Nordsjaellands, da Dinamarca.

"Eu compreendo, é fascinante pensar que seja possível imitar a natureza com essa técnica, mas ela está baseada em teorias que não têm provas que a sustentem", disse à BBC.

Clausen assinalou que provavelmente o algodão não vai conter as mesmas bactérias que seriam transferidas no parto normal, pois estas estariam diluídas em sangue, líquido amniótico e no próprio fluido produzido durante o trabalho de parto.

Seu conselho para as mulheres é "evitar as cesáreas desnecessárias, tentar amamentar o bebê ao menos até os seis meses e iniciar o contato pele-a-pele o quanto antes".

Cada uma dessas práticas traz benefícios para o microbioma do bebê, sem riscos.

Cesáreas desnecessárias

Na América Latina, as cesárias são muito numerosas. No Brasil, México e Argentina mais da metade dos partos são cesáreas. A recomendação da Organização Mundial de Saúde é de um percentual entre 10% e 15% apenas.

O médico Patrick O'Brien, do Colégio Real de Obstetras e Ginecologistas do Reino Unido, afirmou que "não há uma prova forte de que a semeadura vaginal traga algum benefício".

"Nós não recomendamos essa técnica até que pesquisas mais detalhadas mostrem que ela não é perigosa e que pode de fato melhorar o sistema imunológico da criança."

 

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