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Porto Alegre quer entrar na moda

por Sílvia Franz Marcuzzo – 

Pode parecer estranho, pois quando se fala em moda, logo vem à cabeça aquela ideia de que gente “moderna” está sempre usando lançamentos e repaginando o guarda-roupa a cada troca de estação. Pois parece que isso já não é mais moda. O público mais exigente e culto tem dado cada vez mais valor para aspectos sustentáveis quando adquire uma peça para seu look.

E exatamente um recorte sobre esse universo que será mostrado no flash de moda que será realizado nesta sexta-feira, dia 17 de maio, da Festa-feira INquieta. O evento será realizado no Galpão do Plátano (Rua Gen. João Manoel,627), no coração do Centro de Porto Alegre. A promoção é do POA INquieta Sustentável e do Galpão do Plátano e começará às 17h. Estarão presentes marcas como Colorê, Mudha, Tsuru, UmPraUm, Resto Zero, RGLOOR, 2B Comfy Wear e acessórios SilvAna.

Entre os principais objetivos do encontro é estimular a conexão entre empreendedores, consumidores e interessados em iniciativas com a pegada socioambiental. Com relação à vestimenta e acessórios, marcas gaúchas já estão ganhando destaque nacional através da Brasil Eco Fashion Week. Isso é resultado de ações e iniciativas para um consumo mais consciente no território gaúcho.

Para se ter uma ideia, há vários níveis e formas da preocupação com a sustentabilidade. A Colorê, por exemplo, foca o reaproveitamento de tecidos de descarte da indústria. Suas peças são produzidas no atelier em Porto Alegre, no estilo slow fashion. Confecciona peças exclusivas e diferenciadas através da união de retalhos.


Já a RGloor, surgiu com a intenção de oferecer roupas femininas de luxo com diferencial no design e caimento. A empresa se atém a origem das matérias-primas. Utiliza tecidos finos, como seda proveniente de casulos descartados da indústria têxtil, produzido em um tear artesanal em uma comunidade do Paraná. O tricoline e o crepe de viscose vem de uma empresa familiar paulista. E, quando há disponibilidade usa o algodão orgânico da Justa Trama(também de Porto Alegre).

Esta marca ainda tem vários outros diferenciais, pois a proprietária Rochele Gloor morou dez anos nos Estados Unidos, sendo oito em New York, onde fez bacharelado em design de moda na Fashion Institute of Technology (FIT) e se especializou em tricot computadorizado na Inglaterra. Ela coordena o projeto de inclusão social de costura, o Atelier da Cruz, em uma comunidade vulnerável da periferia. Uma porcentagem de suas vendas volta para esse grupo de mulheres na forma de projetos e manutenção do espaço.

A 2B Comfy Wear trabalha com peças confortáveis que servem para qualquer tipo de pessoa. A maior parte delas é feita em algodão 100% brasileiro e sua cadeia produtiva é totalmente local. Um dos diferenciais é que está iniciando um trabalho com tecidos eco da MR . As proprietárias Heloisa Herve e Bia Job tem ainda um comércio, Aloja, que reúne 18 marcas autorais gaúchas. Bia conta que tem muitos clientes fixos e que a procura por produtos ecofriendly tem aumentado.

Acompanho temas relacionados à proteção ambiental há quase 30 anos. Muita coisa mudou desde a Rio 92, Rio+20, enfim, momentos cruciais para repensar o desenvolvimento a qualquer preço. Hoje o consumidor está cada vez mais consciente do seu poder de escolha. E ninguém que tenha conhecimento e o mínimo de noção de responsabilidade vai querer comprar de quem utiliza trabalho escravo, degrada a natureza e gera resíduos para o poder público dar a destinação final. Acho que é a primeira vez na história que entrar na moda virou uma questão de nível de consciência planetária.

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Sílvia Franz Marcuzzo

Consultora em sustentabilidade, jornalista, facilitadora de grupos, mobilizadora de ações de um mundo em transição. Articuladora do POA INquieta Sustentável

 

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