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Furacão Florence e super tufão Mangkhut: sequelas de um mundo em aquecimento

Imagem do furação Florence registrada ontem pela Nasa  — Foto: (Nasa/Via Reuters)

Imagem do furação Florence registrada ontem pela Nasa — Foto: (Nasa/Via Reuters)

Escrevo enquanto acompanho a trágica trajetória do mega furacão Florence que, ainda neste instante (manhã do dia 14) está a 85 quilômetros da costa das Carolinas do Norte e do Sul, nos Estados Unidos. Os ventos perderam um pouco da força, mas ainda assim vão causar muita chuva e estão a 150km por hora. As autoridades estão preocupadas, os jornalistas devem estar de plantão, e o noticiário, legitimamente, trata o fenômeno com seriedade.

Enquanto isso, em outro oceano (Pacífico) e do outro lado do mundo, nas Filipinas, um arquipélago com cerca de 96 milhões de habitantes, dos quais 18,4% estão abaixo da linha da pobreza*, se prepara para um super tufão, apelidado de Mangkhut, que também está chegando. Seus ventos já estão a 250km por hora e pode ser um dos mais fortes da história do país. Cerca de 5 milhões de pessoas serão afetadas, quase dez mil já foram evacuadas, voos estão sendo cancelados, segundo reportagem do jornal “The Guardian”.

A única boa notícia em ambas as situações é que existe hoje um aparato tecnológico de primeira para avisar sobre a chegada de tempestades desta natureza, capazes de arrasar cidades inteiras. Isto significa que, para as comunidades que ficam no caminho da tormenta, ainda há algum tempo para sair e evitar as piores consequências .

O Florence, no entanto, está tão forte que uma apresentadora do tempo de um canal de televisão norte-americano alertou para o fato de que não é preciso apenas sair da costa. Desta vez, vai ser necessário se afastar muito mais, porque o furacão não vai perder força assim que aportar em terra. Ele está sendo comparado ao Hugo, de 1989, um dos piores que devastou a região. Já o Mangkhut se parece com o Haiyan, que deixou 7,3 mil mortos em 2013. As comparações são necessárias, mas a realidade é que o instante em que se está vivendo a tragédia será sempre o único.

Assim como os aparatos tecnológicos ajudam a medir e a avisar, eles também são importante auxílio aos cientistas que buscam explicações para fenômenos desta natureza. E, sim, as mudanças climáticas, o aquecimento dos oceanos, são a principal causa. O aquecimento global é responsável por 75% dos eventos extremos e 20% das chuvas muito fortes, dizem cientistas.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump – cético do clima, ou seja, que não acredita que as atividades humanas estão aquecendo o planeta - manifestou-se, como não podia deixar de ser numa situação dessas. Depois que os assessores do presidente se reuniram com ele para mostrar o tamanho do problema, Trump pegou seu computador e foi para as redes sociais, como tem sido seu hábito. No twitter, conclamou seus conterrâneos para terem cuidado - algo que os norte-americanos estão ouvindo de minuto a minuto em todas as redes de canais televisivos. Mesmo assim, o presidente decidiu reiterar:

“Estejam preparados, tomem cuidado e fiquem a salvo!”, escreveu.

Até aí tudo certo. O que não foi bem é a declaração que veio a seguir, quando o presidente da nação mais rica aproveitou para destacar a reação do seu Governo ao furacão Maria, que atormentou Porto Rico —um território norte-americano— há pouco menos de um ano. Trump qualificou a atuação das autoridades, à época, como “um incrível sucesso não reconhecido”. E não reconhece as cifras de mortos causados pelo Irma e pelo Maria, que alcançou 3 mil.

É preciso noticiar, mas deixemos que o comentário de Trump fique no nicho que lhe cabe, onde ficam outras tantas declarações e atitudes dele. Prefiro me deter aqui sobre um trabalho minucioso e sensível de reportagem feito pela jornalista canadense e ativista ambiental Naomi Klein que escreveu a respeito da luta dos portariquenhos para recuperar suas vidas depois da tragédia. Klein esteve no lugar no início deste ano e escreveu um livro a respeito, chamado “A Batalha pelo Paraíso”.

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